A ansiedade emerge hoje como um dos principais sintomas do nosso tempo. Mas, o que ela revela sobre nós?
Viver em estado de alerta constante é extremamente exaustivo, cansa. Quando a mente não desacelera e a tensão aparece mesmo em situações simples, é natural que muito se perca da fluidez natural da vida.
A ansiedade persistente não é fraqueza ou falta de controle, mas, um sinal de que algo dentro de você está pedindo atenção. Que o corpo, não está acompanhando as sobrecargas exigidas diante da atualidade. Buscar compreender essa experiência com profundidade, e claro, em um espaço estruturado e ético, pode ser o primeiro passo para adquirir clareza e maior estrutura emocional, uma vez que o caminho da escuta pode ser mais transformador do que o alívio imediato. A psicanálise não busca conter a ansiedade com respostas rápidas, ela propõe um percurso de elaboração.
Não se trata de eliminar emoções, mas de aprender a se relacionar com elas de forma mais consciente e segura.
Perceber que determinadas dinâmicas se repetem com pessoas e contextos diferentes pode gerar frustração e dúvida. Relações que começam intensas e terminam da mesma forma, padrões que parecem inevitáveis, escolhas que depois causam estranhamento. Repetimos tudo aquilo que é da ordem do inconsciente, repetimos, como forma de se manter desconhecido, o conhecido.
Essas repetições dificilmente são aleatórias e frequentemente refletem formas inconscientes de se vincular, expectativas silenciosas, necessidades emocionais não reconhecidas, traumas não elaborados.
O inconsciente insiste em fazer a mensagem chegar a seu destino. Essa insistência do inconsciente que se manifesta na repetição é explicitada na queixa do analisando sob a forma de: “Por que sempre acontece a mesma coisa?”
Um processo analítico torna possível compreender melhor essas dinâmicas tão particulares e abrir novas possibilidades e caminhos.
A angústia se manifesta como um sentimento difuso e intenso de vazio, desamparo e medo.
A angústia não é apenas um sintoma, mas, um sinal do inconsciente, ela surge quando há um conflito interno, desejos, fantasias que a pessoa não reconhece, ou não consegue aceitar, entrando em choque com suas defesas psiquicas.
Um dos efeitos mais importantes da análise é que o analisando aprende a escutar a própria angústia de outro modo. Ao invés de vê-la apenas como um inimigo, ele pode reconhecê-la como um sinal de algo interno que precisa ser reconhecido e elaborado. Essa mudança de posição diante da angústia abre espaço para novos modos de viver, para escolhas mais conscientes e para uma relação mais saudável consigo mesmo.
O processo de análise, portanto, não promete eliminar totalmente a angústia – afinal, ela faz parte da condição humana. Porém, oferece ferramentas para que o sujeito não seja dominado por ela, encontrando caminhos mais criativos para lidar com seus conflitos e sofrimentos.
O vazio é fundamental, ele é fundante na constituição do sujeito. Porém, a questão é, o que fazemos com esse vazio? Que nome damos a ele? Esse vazio, inclusive, quando olhado, dito, percebido e nomeado, pode ser produtor de sentidos.
Por vezes, a sensação de vazio é um silêncio ensurdecedor.
Subitamente e sem aviso, essa sensação pode surgir em meio a conquistas, momentos de grande estabilidade, situações que socialmente podem ser consideradas como “felicidade”, mas, o sujeito está ali, em grande sofrimento. Era isso mesmo que eu queria? O que é meu? O que é do Outro?
A psicanálise é um processo que se constrói pela palavra. É um cuidar de si. Ao longo dos encontros o sujeito é convidado a falar de modo livre e sem ser julgado, permitindo que aquilo que se repete em sua história possa ser ouvido, investigado, reconstruído. É um Re-criar narrativas sobre si, tornando a vida mais interessante e menos sofrida.
Minha escuta tem como base teórica as obras de Jacques Lacan; e preserva a singularidade de cada percurso analítico. Levando em consideração o Sujeito em sua inteireza, seu contexto social, medos, ansiedade, angústia, tristeza, estresse, vícios, lutos, inibições, obsessões, repetições;
Análise não se trata de aconselhamento, mas de um processo contínuo de elaboração e nomeação. Como costumo dizer, sofremos por aquilo que não nomeamos.
Psicóloga formada pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) há 12 anos.
Como psicóloga trabalhei na Assistência Social, atuando no CRAS, com adolescentes. Posteriormente atuei em um programa da Prefeitura de Piracicaba onde trabalhava com a proteção e garantia de direitos das pessoas com deficiências e idosos. (PEDI)
Psicanalista há oito anos atuando na clínica, minha formação e autorização, como psicanalista, foi se dando, e continua acontecendo de forma artesanal, cursos, grupos de estudos com analistas diversos.
Prezo pela ética, pelo cuidado e respeito com cada um que chega até a clínica, penso a psicanálise – inserida no contexto socialpolítica, cultural atual, pensando sobretudo nas diversas formas de produção de sofrimento.
Análise não se trata de aconselhamento, mas de um processo contínuo de elaboração e nomeação. Como costumo dizer, sofremos por aquilo que não nomeamos.